Quem mora em BH, também conhecida como Curral Del Rey, sabe que por aqui a vida de nerd é bem mais difícil do que a de quem mora em uma grande cidade como São Paulo, por exemplo. E é por isso que a gente fez questão de publicar esse post. Ontem foi inaugurada a FNAC, uma das maiores lojas de produtos culturais e eletrônicos do mundo, no Piso Mariana do BH Shopping. E como vamos mostrar nesse post, temos motivo de sobra pra comemorar.
Para quem nunca ouviu falar, a FNAC (Fédération nationale d’achats pour cadres, "Federação nacional de compra de quadros”) é um loja francesa que foi fundada em 1954. Na época, era um espécie de clube de associados que tinham uns descontos bacanudos em relação a concorrência, além de trazer produtos diferenciados. Apenas em 66 que foi aberto para o público mesmo. Para saber mais, basta clicar aqui ;).
Ok. Já temos ideia do que é a FNAC. E aí? E aí que lá é o paraíso dos nerds/geeks/cults/etc. Por isso esse post. Lá tem de tudo um tanto. Digo isso porque a área da loja é enorme e extremamente bem dividida, tendo suas sessões bem sinalizadas para que a gente não fique igual um otário procurando determinado produto.
Mas caso você seja meio tonto e se perca, existem vários funcionários – bem educados e orientados por sinal - para te indicar o caminho. Ahhh, só pra constar: fomos tão bem recebidos, que até Champagne e lanchinhos finos tinha no lugar. WIN!
Agora vamos falar – e mostrar – um pouco das sessões que nos interessaram.
E aí… já ouviram falar? Bom, para os leigos – e até mesmo gamers hardcore, art game é o nome dado a jogos onde a estética audiovisual é parte fundamental do conceito e do enredo. Normalmente existe um refinamento nesses jogos para que eles se adequem à proposta do game.
A verdade é que explicar o art game é algo bem complicado, pois ambientação é uma das premissas para se criar um bom jogo independente do estilo. Mas a linha tênue que separa os jogos tradicionais e os art games começa a se tornar clara à medida que vamos conhecendo alguns deles.
O estilo nasceu prinpalmente nos jogos para computadores, com produtores independentes, e ganhou muita força à partir de 2000, com a moda dos jogos em Flash na internet e com a abertura de espaços como a Live Arcade do XBox e a PSN (Playstation Network). Ainda assim, existem art games nos formatos padrões de PC/Console.
Vamos a alguns jogos que chamaram minha atenção:
1. Braid (2006) – XBox360 Live/PSN/PC
Aclamado pela crítica e pelo público, Braid é um dos jogos mais bonitos e desafiadores que eu já joguei (clique nas imagens para ampliar). Trata-se de um puzzle (jogo de raciocínio) com uma premissa muito simples: Tim deve salvar seu amor, a Princesa, das garras de um terrível monstro (Mario Bros. feelings). Até aí tudo bem. Só que o barato do jogo é que ele é inteiramente baseado na manipulação do tempo. Você pode retroceder, e às vezes acelerar determinadas ações com o objetivo de pegar peças de um quebra-cabeça. E o que é que isso tem de “art”?
Além dos gráficos que se baseiam nas pinturas de Von Gogh e da trilha sonora de música clássica, o roteiro do jogo possui uma profunda reflexão onde Tim questiona seus erros, suas atitudes, etc. E outra, longe de ser uma simples “lição de moral filosófica”, Braid foi desenvolvido como um pedido desculpas do seu criador, Jonantham Blow para a sua namorada. Simplesmente foda (e chorável pacas).
2. The Path (2009) – PC
Esse ainda não tive o prazer de jogar, mas trata-se de uma releitura de Chapéuzinho Vermelho. O jogo tem um visual bem dark e seu objetivo é levar as seis irmãs para visitar a mãe doente. Ao trilhar o caminho, você deve ter cuidado para não encontrar o lobo.
3. Every Day The Same Dream (2009) – PC
Este “short game” em flash possui gráficos simples, porém bastante bonitos. É um jogo bastante introspectivo, quase contemplativo. Segundo seu criador, o jogo traz uma ideia de “questionamento existencial sobre o dia-a-dia e a alienação que tudo isso causa”. Você pode experimentar o jogo gratuitamente, basta clicar na imagem. Realmente é bem interessante.
4. The Void (2008/2009) – PC
Este game russo traz uma ideia bem diferente. Sua alma acaba parando em um local como se fosse um purgatório, um lugar sem cor, onde criaturas bizarras se alimentam de tudo que é energia. Em um lugar onde não há vida, a energia mais valorizada são as cores. Assim, você usa cores para compor sua energia, seu poder de fogo, sua armadura, etc. O jogo é classificado como um First Person Shooter (FPS) de Survival Horror (tipo Doom). Falando assim parece um jogo padrão, mas pelo trailer dá pra perceber que existe algo diferente no jogo.
5. Samorost 1 e 2 (2003 / 2006) - PC
Este jogo ficou muito famoso por sua incrível qualidade visual. Algo pouco habitual naquela época quando se falava em flash game. Samorost é um point and click tradicional semelhante aos Monkey Island da vida. Desenvolvido pelo estúdio tcheco Amanita, o jogo mistura modelos de objetos reais (como a nave e os planetas) manipulados em animações flash, criando cenários ricos em detalhes de forma fotorealísta. O jogo exige um cado de fosfato para resolver seus problemas, que são bem “diferentes”. Clique na imagem para jogar o demonstrativo no site oficial.
Bom de jogos do estilo, existem MUITOS!! Tive que dar um filtrada, e olha que ficou faltando uns bem legais.
Mas sabe qual foi a razão de eu ter feito este post? Bom, durante a E3 – maior feira de games do ocidente – foi apresentado um jogo que me deixou simplesmente boquiaberto. Trata-se de Limbo, para XBox Live. Confiram o trailer:
“Sem ter a certeza do destino de sua irmã, um garoto entrou no Limbo”. Esta é a simples, porém instigante premissa do jogo. Usando um visual todo em silhueta, o jogo é um puzzle em side-scrolling (perpectiva tipo Mario). O jogo ainda nem foi lançado e já está concorrendo a várias premiações. Como é que pode uma coisa tão simples ser tão foda – pelo menos à primeira vista!
Nem precisa dizer que estou doido de vontade para jogá-lo. Espero que saia para PC (ou que a droga da Microsoft libere a Live Arcade para PC também ¬¬).
Você, meu amigo rato de internet, que conhece todos os “memes” clássicos da “interwebs” vai com certeza ficar louco com essas almofadas de expressões da net.
Acordaria todo dia isolando um “WTF” no despertador. Ahh… fico irado com a dificuldade de ter esses produtos aqui em terras Tupiniquins. Vi na Think Geek.