Se existe um manual de roteiros dramáticos para filmes norte americanos, provavelmente ele tem, no mínimo, 50 páginas dedicadas aos subúrbios dos Estados Unidos. Aliás, se não fosse por esses lugares, com certeza a produção de Prozac estaria em colapso. E é nesse local de profunda infelicidade que fica estacionado Reencontrando a Felicidade.
No longa dirigido por John Cameron Mitchell ( Shortbus, Hedwig - Rock, Amor e Traição), baseado numa peça de teatro escrita por David Lindsay-Abaire (Robôs), que tabém assina a adpatação do roteiro, acompanhamos a história do casal Becca (Nicole Kidman) e Howie Corbett (Aaron Eckhart) que tem a vida alterada após a morte do filho, Danny (Phoenix List) num acidente de carro. Depois de oito meses, enquanto Becca larga sua carreira e passa os dias em casa tentando se cercar de pessoas bem intencionadas, Corbett busca apoio em desconhecidos que podem oferecer algo que a esposa não consegue dar.
O tal reencontro com a felicidade que dá nome ao filme aqui no Brasil (bem diferente do original "Rabbit Hole", que faz alusão à Alice no país das Maravilhas ) não é mostrado com superações Hollywoodianas. O drama do filme é mais cotidiano, mais realista e próximo, tornando-se psicologicamente mais denso do que a maioria dos que pipocam todo mês nos cinemas.
Becca não se contém com as mensagens religiosas de esperança que recebe da mãe (Dianne Wiest) nem nas que vê repetidas vezes nas sessões de terapia em grupo que participa. Também não consegue manter uma boa relação afetiva com o marido, por mais que ele tente, e começa até mesmo à buscar um tipo de conforto ao manter um controverso contato com o jovem Jason (Miles Teller), responsável pela morte de seu filho.
Enquanto a personagem de Nicole Kidman dá peso ao clima melancólico (acentuado por uma fotografia quase sempre em tons de cima, muito bem trabalhada pelo diretor de fotografia Frank G. DeMarco), Eckhart é o lado mais sóbrio da trama, responsável por trazer o espectador um pouco mais pra dentro do drama criando uma associação mais fácil com o público. Inclusive, cabe a Aaron Eckhart e Sandra Oh (a Dr. Cristina Yang da série Grey's Anatomy, que aqui vive a também problemática Gaby) inserir algumas breves, e poucas, sequências cômicas, que servem como pausa de alivio no roteiro.
Reencontrando a Felicidade é o tipo de filme que pode enganar o espectador mais desavisado. Com atores conhecidos no elenco, uma indicação ào Oscar (diga-se, merecidamente para Nicole Kidman) e ganhando um nome medíocre aqui no Brasil, o longa pode parecer que é um drama com roteiro mais básico, quando na verdade é bem o contrário. Transitando dentro de um tema com vários outros filmes bem mais interessantes, Reencontrando a Felicidade não é um achado, nem mesmo algo memorável, mas está longe de ser um filme ruim.
O que pode fazer da escolha em assisti-lo algo bom ou ruim é apenas a pré-disposição do espectador em enfrentar uma jornada de uma hora e meia da mais pura melancolia sem manipulações emocionais. É cinemão com cara e roteiro de independente.
Por Kelson Douglas.
2 comentários:
HAHAHA! Quem escreveu este texto definitivamente não viu o mesmo filme que eu... Filmezinho arrastado, básico, sem nada. Novela água-com-açúcar, no máximo.
Discordo! Achei um filme delicado e com uma abordagem bem cotidiana e realista. Temática densa, mas um filme com muita leveza, presente em várias boas cenas do filme! Mas, no final das contas, gosto é gosto e cada um com seu cada qual, né?
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