Um belo dia eu ouvi Letuce. E me apaixonei. Não só pelas letras confidenciais, sinceras e bem humoradas (algumas músicas tem até versões "dirty"), mas por todo o conceito Letuce. Na descrição da banda no projeto Oi Novo Som, eles se descrevem assim: "Estilo: Música do Brasil. Influências: Amor". <3
No Twitter: "Why carão? Love carinho". No Myspace: "Letuce quer gozar, mas Letuce não quer só prazer, Letuce quer prazer mas quer revolução, e isso não é punk demodê, nem teenager, nem ingênuo- ainda que possa ser tudo isso – é o gesto generoso”.
Letícia e Lucas são uma dupla, são parceiros, são cúmplices, amantes. E essa parceria/cumplicidade/amor reflete claramente em todas as composições deles.
O melhor da dupla é que eles são bagaceira que nem a gente. No EP "Couves", por exemplo, a banda interpreta Raça Negra, Só Pra Contrariar, Des'ree e Sade. Tudo ao mesmo tempo e, por incrível que pareça, com uma coerência absurda.
Você também vai se apaixonar por Letuce. Na entrevista abaixo, a super simpática vocalista Letícia Novaes fala sobre suas influências, seu amor pelo pagode e sua falta de paciência com gente caruda.
Você, suas músicas e seu Twitter são muito bem humorados. Acha que falta bom humor nesses jovens cantores que se acham a última bolacha do pacote, super cabeções?
Olha, ao mesmo tempo que pode estar faltando humor, também tá vazando por aí por todos os lados. Ser engraçado não é elaborado, tem a ver com espontaneidade, tem a ver com rir se a maçaneta caiu na sua mão. Meu pai é uma figura, minha vó também, sou rodeada por pessoas muito cheias de vida e com observações curiosas sobre a vida. Não tinha como ser diferente. Coisas-cabeçudas me dão agonia também, dá vontade de dar um peido do lado pra ver a reação. Um peido, tão singelo, tão universal. Os extremos me dão medo. A graça constante também me lembra desespero ou carência. It's all about balance, baby.
Recentemente a gente fez um podcast chamado "Todo mundo adora um pagode". A julgar pelas músicas do "Couves" você concorda conosco, né?
Sou tijucana, nascida, criada. Passeio da escola, minha mãe me avisava "se você voltar rouca, Letícia....". Era impossível não bradar aos 4 ventos os pagodinhos da época, o ônibus inteiro uníssono, era lindo, de arrepiar. Quando fiquei mais velha e comecei a frequentar a zona sul, percebi um ou outro preconceito (tanto com a Tijuca, tanto com o pagode). E por um tempo, que tola, me camuflei, mas a memória afetiva é forte e vence tudo. Quando conheci o Lucas, na mesma noite ele pegou o violão e tocou umas coisas inacreditáveis, que nunca tinha visto em roda de violão descontraída. Ele ficou surpreso que eu sabia as letras, eu fiquei surpresa que ele sabia todas. Eu curto canção bonita. Antes de pré-julgar o estilo, eu tento receber uma informação emocional, corporal, sentimental.
Você se diz influenciada pelo amor. E música romântica geralmente é chamada de brega. Tem medo do rótulo de brega?
Jamais. Até porque ser indivíduo é troço bastante complexo, então se me chamam disso, vou no máximo rir e voltar a ler um livro. Acho que todo mundo deveria ser influenciado pelo amor. Coisa mais linda do mundo é entrar num ônibus atrasada, meio com cara de bunda, e a trocadora sorrir dentes lindos, me dizer "bom dia", mostrar suas unhas incríveis e depois dizer que é porque conheceu um cara. Acho duma lindura.
Falando em amor, corre a boca pequena que a maioria de suas músicas tem uma versão dirty. Isso procede? Como se dá o processo criativo de composição?
hahahahaha. Que loucura. Depois de tanto tempo de ensaio, que é um processo mais cansativo do que o criativo, a gente acaba falando uma besteira ou duas.
Não são letras inteiras diferentes, só trechos, pedaços, brincadeiras internas, de repente a gente mostra umazinha. O processo criativo é o mais natural possível, sem hora, sem regra. Posso estar dormindo, mas se tenho frase na cabeça, pego o celular e gravo. Ou acordo e vou escrever. Lucas também, tá sempre com o violão, então facilita muito. Qualquer hora pode nascer um lance.
Em 2011 você pretende dar uma passadinha aqui na terra do pão de queijo? A gente promete te dar muito amor!
Olha, eu AMO Minas Gerais, tenho boas lembranças de tudo por aí, das cidades históricas, cachoeiras de Aiuruoca-São Tomé das Letras, já toquei com minha outra banda na capital também, foi bem bacana. Tomara que esse ano o Letuce toque por aí, vamos torcer.
“…eu tô assada de amor”
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